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CÂMARA DE VEREADORES DE LIMOEIRO

» » Por que a China se viu obrigada a negar que venda carne humana


folha limoeiro 14:38:00 0


Venda de carne em um mercado em Pequim

"É uma acusação totalmente maldosa, vil e inaceitável para nós."
Foi com essas palavras - pouco ouvidas no mundo da diplomacia - que o Ministério das Relações Exteriores da China, através da figura do seu embaixador na Zâmbia, reagiu à onda de notícias e comentários em redes sociais sobre acusações de que a China exporta carne humana para a África - na forma de carne enlatada.
A imprensa estatal chinesa responsabiliza tabloides da Zâmbia pela divulgação dos rumores, dizendo que "pessoas com motivos espúrios tentam destruir a arraigada cooperação entre Zâmbia e China."

Polêmica

Os rumores vieram de um jornal do país africano. A publicação cita uma mulher zambiana que trabalha em uma fábrica de processamento de carnes na China, cujo nome não foi divulgado.
Essa mulher alerta consumidores africanos a deixarem de comprar carne enlatada (chamada "corned beef") da China. O "corned beef" é um tipo de carne de vaca cozida tratada com salmoura.
A entrevistada assegura ao jornal que empresas chinesas recolhem cadáveres para usar a carne em produtos enlatados para o mercado africano.

Carne enlatadaImage copyrightTHINKSTOCK
Image captionA informação divulgada no jornal da Zâmbia se referia ao 'corned beef', um tipo de carne enlatada

Na reportagem do diário zambiano, outras pessoas afirmam que o uso de carne humano se difundiu "porque a China reserva a carne de melhor qualidade para mercados de países poderosos".

Insatisfação

O embaixador Youming solicitou ao governo da Zâmbia que investigue o tabloide em questão "para limpar o nome do povo chinês".
As fotos que circularam nas redes sociais e que mostrariam a "carne humana", segundo os rumores, seriam imagens criadas para uma campanha publicitária de um jogo de computador, segundo o site Snopes.com, que se dedica a investigar rumores que circulam pela internet.
O vice-ministro da Defesa da Zâmbia, Christopher Mulenga, disse, por sua vez, que as autoridades do país investigarão as fontes que originaram a notícia e "lamentou o incidente".
"O governo da Zâmbia lamenta esse incidente, levando em consideração a estreita relação que existe entre nosso país e a China", pontuou.
A China financia projetos de infraestrutura importantes na Zâmbia em troca de recursos naturais do país africano.

Mercado de carne na ChinaImage copyrightAFP
Image captionCarne estragada é retirada de um comércio na província de Fujian

Mas o poderio chinês na economia da Zâmbia também tem gerado insatisfação da população local, segundo a imprensa zambiana.
Alguns trabalhadores acusaram empresas chinesas de não zelarem pela segurança dos trabalhadores africanos e de pagar salários muito baixos.
O investimento chinês na África entre 2005 e 2014 chegou a aproximadamente US$ 32 bilhões (R$ 114,6 milhões), segundo cifras divulgadas pelo Ministério do Comércio da China e citadas pela revista The Economist.

Escândalos

A China se viu envolvida em uma série de escândalos relacionados a segurança alimentar nos últimos anos.
Em 2015, a imprensa chinesa anunciou o confisco de mais de 100 mil toneladas de carne contrabandeada - boa parte dela tinha sido congelada havia mais de 40 anos.
O escândalo do leite em pó contaminado com substância química melanina teve grande repercussão em 2008 - assim como a prisão de pessoas que vendiam de carne de rato como sendo carne de carneiro.
Em 2014, um repórter chinês filmou trabalhadores de uma processadora manipulando carne sem nenhuma condição de higiene.

Processadora de carnes na ChinaImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionUma fábrica da empresa Husi Food foi alvo de polêmica pela maneira como processava a carne

A gravação mostrava os empregados da produtora Husi Food em Xangai, subsidiária do Grupo OSI com sede nos Estados Unidos, cortando carne sem luvas e pegando pedaços do chão, enquanto reclamavam que o produto cheirava "podre".
A fábrica em questão era até então uma das fornecedoras da rede McDonald's, que tem mais de 2 mil restaurantes na China.
As autoridades municipais de Xangai investigaram a fábrica e encontraram milhares de produtos vencidos reempacotados com novas datas de validade.

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