Temer chegou de uma longa e frustrante semana no exterior. As passagens pela Índia, no encontro do grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS, na sigla em inglês), e Japão decepcionaram aqueles que esperavam convencer os investidores de que há segurança jurídica e social no Brasil


Por Redação – de Brasília

A prisão do deputado cassado Eduardo Cunha causou um abalo profundo no golpe de Estado, em curso. Maior do que imaginava o presidente de facto, Michel Temer. Nesta sexta-feira, apesar das negativas, os ocupantes do Palácio do Planalto se mobilizavam na tentativa de garantir o quórum e os votos em Plenário. Tenta, assim, “impor uma nova derrota contra a esquerda e os nacionalistas, na votação em segundo turno da PEC 241, apelidada de PEC da Morte”, disse uma fonte à reportagem do Correio do Brasil.
— Agora é tempo de passarinho ‘na muda’. Muitos têm evitado até sair de seus Estado, o que coloca em risco o quórum da votação — revela a fonte.
O presidente de facto, Michel Temer, tem pedido garantias pessoais dos parlamentares de que estarão presentes, em Plenário, na terça-feira

PEC da Morte

Temer chegou de uma longa e frustrante semana no exterior. As passagens pela Índia, no encontro do grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS, na sigla em inglês), e Japão decepcionaram aqueles que esperavam convencer os investidores de que há segurança jurídica e social no Brasil. Durante a tarde passada, o presidente de facto, Michel Temer, permaneceu ao telefone, em contato com parlamentares. Tentava garantir a presença na semana que vem.
Nesta sexta-feira, a agenda deTemer permaneceu aberta, exceto pelas comemorações do dia do Aviador, nesta manhã. Concluída a aparição pública, para um grupo restrito de convidados, seguiu nos contatos com parlamentares. Ainda segundo a fonte, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também participa do esforço para garantir o quórum. Maia convidou os parlamentares da base aliada para um jantar em sua casa, na noite de segunda-feira. Trata-se de mais uma tentativa de garantir a presença dos deputados na terça-feira.

Por telefone

Temer disse que participará do jantar. Na semana passada, quando foi votado o primeiro turno da proposta, ele recebeu mais de 300 parlamentares no Alvorada. Na ocasião, o governo obteve 366 votos, mas teve mais de 20 traições na base. Em seguida, o Planalto anunciou que “discutiria a relação” com os deputados que votaram contra a PEC. A tendência tem sido de aumentar esse número de discordâncias
A intenção era chegar no segundo turno o mais próximo de 400 — número que representa os 12 partidos da base aliada — em uma demonstração de força. Uma vez que o número de 366 já estava garantido, o apoio só tendia a aumentar. Mas a prisão de Cunha e o recente confronto entre policiais federais e legislativos chama a atenção dos parlamentares.

Garantia de presença

A preocupação, agora, é evitar que haja baixas no número inicial, por conta de um possível quórum menor. O governo teme que um número menor que 366 possa dar sinais ao mercado de uma perda de controle da base. Além da existência ainda de uma influência de Cunha sobre parlamentares.
Nas conversas por telefone, Temer repete os argumentos de que a aprovação é fundamental. Tanto para retomada da confiança quanto do crescimento do país. Segundo a fonte, ele pede a cada um a garantia da presença em plenário, na terça-feira.