Por Redação – de São Paulo

Para o ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, a derrota do PT, em nível nacional, traz um fato positivo. Abre caminho para sua candidatura à sucessão da presidenta Dilma Rousseff, deposta durante o golpe de Estado, em curso no país.
Ciro Gomes será candidato à Presidência da República, em 2018, e espera contar com o apoio da esquerda
A eleição de seu candidato, Roberto Cláudio (PDT), para a Prefeitura de Fortaleza, é mais um ponto a favor do político cearense. Ainda que o Nordeste tenha a tradição de garantir bons resultados eleitorais ao PT, o vento virou. Nas eleições municipais deste ano, a nau petista naufragou, do litoral ao sertão. O partido não elegeu um prefeito sequer, nas nove capitais nordestinas.

Adesão

Hoje, o Partido dos Trabalhadores comanda o governo de cinco Estados, e apenas no Acre não poderá tentar reeleição. O objetivo do grupo de Ciro é aproveitar a janela de oportunidades, junto aos governadores. Muitos acreditam que não conseguirão se reeleger ou aos seus sucessores, a permanecer com a estrela petista na campanha. 
A negociação segue mais avançada no Ceará, Estado da família Gomes, para que o governador Camilo Santana (CE)  migre de sigla e integre seu projeto presidencial. O grupo espera ainda adesão de Rui Costa (BA) e Wellington Dias (PI).
Segundo interlocutores de Ciro, a partir do Ceará, outros governadores do Nordeste também poderão integrar sua candidatura ao Planalto. O PT comanda cinco governos estaduais: Piauí, Ceará, Bahia, Minas Gerais e Acre. Apenas no Acre, o governador Tião Viana não poderá tentar a reeleição.”

Projeto nacional

Para Ciro Gomes, que pretende unir as forças de esquerda, no país, uma opção seria unir-se ao Centro. Ciro prevê que a criação de uma “frente de esquerda” no Brasil, cogitada por algumas lideranças políticas, não é viável. Para ele, o país “não cabe na esquerda”.
— O Brasil precisa de um projeto nacional de desenvolvimento, com começo, meio e fim, e que, audaciosamente, busque construir um grande entendimento entre quem produz e trabalha. Este é o projeto que estou montando — diz ele, em entrevista a jornalistas. O mais viável, segundo afirma, é a união de políticos de “centro-esquerda”.
Para Ciro, que até meados deste ano esperava contar com o apoio do PT à sua campanha, esta não é mais uma opção para 2018.
— Acho que não acontecerá no primeiro turno esse ajuntamento — afirmou Ciro em entrevista ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo.
E chega a citar a fábula de Esopo sobre o sapo e o escorpião:
— É a natureza do escorpião. A natureza do PT é essa — ataca.
Ele lembrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe havia dito, nos bastidores, da sua intenção de apoiá-lo. Mas não acredita.
— Ele me disse isso antes da Dilma também. O candidato é você. O tempo todo. E eu dizendo: você não tem como bancar isso — relembra.
Para o ex-governador, um eventual apoio petista poderá ocorrer em um eventual segundo turno. Ciro vê um “lado bom” na possibilidade.
— Vou tentar apresentar um projeto. E quero ver se comovo a opinião com esse projeto — conclui.