O último boletim médico, divulgado pela manhã, informa que a paciente “segue internada sob cuidados intensivos”. Segundo o informe, a mulher do ex-presidente Lula, D. Marisa Letícia, nas últimas horas, foi submetida a nova avaliação tomográfica


Por Redação – de São Paulo

Ex-primeira-dama, D. Marisa Letícia Lula da Silva, de 66 anos, seguia em coma induzido na tarde desta quarta-feira. Na véspera, ela foi submetida a uma cirurgia de emergência no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
D. Marisa Letícia foi primeira-dama do Brasil durante os dois mandatos do marido, Luiz Inácio Lula da Silva
O médico da família, cardiologista Roberto Kalil Filho, informou aos jornalistas que a situação de D. Marisa é estável. Durante a noite, foi introduzido um cateter para drenagem e redução da pressão arterial do cérebro, com o objetivo de reduzir a pressão intracraniana.
O último boletim médico, divulgado pela manhã, informa que a paciente “segue internada sob cuidados intensivos”. Segundo o informe, a mulher do ex-presidente Lula foi submetida a nova avaliação tomográfica de crânio para controle de sangramento cerebral. Após avaliação das equipes médicas foi realizada a passagem de um cateter ventricular para monitoração da pressão intracraniana”.

Homenagem

Diante do quadro de saúde da ex-primeira-dama, a jornalista, escritora e documentarista brasileira Eliane Brum escreveu, em seu perfil, uma homenagem à ex-primeira dama, sob o título ‘O pé no chão da primeira-companheira’.
“Aconteceu num comício em Guarulhos, na Grande São Paulo, ainda no primeiro turno. Lula discursava. Os fotógrafos radiografavam-no. Ninguém viu. Só ela, Marisa Letícia. O segundo botão do casaco do terno de Lula estava desabotoado. A barriga espichava a camisa. Marisa tentava abotoar. Lula não entendia. Gesticulava, o cotovelo quase nocauteava a esposa. Marisa não desistia. Foi a cena mais amorosa da disputa eleitoral. Marisa fazia o que fez nos 28 anos de casada: cuidar muito bem de seu marido.
“Aos 52 anos, Marisa Letícia Lula da Silva chegou aonde nunca acreditou. Começou a trabalhar aos 9 anos como babá das filhas de um sobrinho do pintor Cândido Portinari. Aos 13, embalava bombom Alpino na fábrica de chocolate Dulcora. Mais tarde virou funcionária pública. Queria ser professora, mas só conseguiu se formar no ginásio. O pai era agricultor, a mãe benzedeira, todas as irmãs foram pajens até ter idade de transferir-se para a fábrica e, depois, casar-se com um bom homem e repetir o destino.

Emoção

“Sua chegada ao palácio poderia ser uma história de princesa. Marisa nunca quis ser Cinderela. O que desejava era um marido que voltasse do trabalho ao final do expediente para conversarem sobre as peripécias dos filhos, as novidades dos amigos, a compra de um sofá novo nas Casas Bahia. Marisa não é mulher de grandezas, mas dos pequenos encantos do cotidiano.
Ela se emociona mais com as flores que desabrocham no sítio, os cabritinhos recém-vindos ao mundo, que com os salamaleques da corte. Queria um operário a seu lado na cama, desde domingo tem o presidente eleito afofando o travesseiro. Respirou fundo. Será, como sempre foi, a primeira-companheira”, concluiu Brum.