De acordo com o comando da UPP Mangueira, policiais estavam em patrulhamento nesta manhã quando foram atacados por criminosos no Buraco Quente

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:
Duas moradoras da comunidade do Morro da Mangueira, mãe e filha, foram atingidas por balas perdidas durante um tiroteio entre traficantes de drogas e policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da região nesta sexta-feira pela manhã. Elas estavam indo para o trabalho e desciam a localidade conhecida como Buraco Quente quando foram baleadas. As vítimas ainda foram levadas para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiram aos ferimentos. Elas foram identificadas como Marlene Maria da Conceição, 76 anos, e Ana Cristina Conceição, 42 anos.
De acordo com o comando da UPP Mangueira, policiais estavam em patrulhamento nesta manhã quando foram atacados por criminosos no Buraco Quente. Houve confronto e um grupo interditou as vias de acesso à comunidade.

Protesto

Em protesto contra a morte das duas moradoras, manifestantes atearem fogo a um ônibus. O tráfego de veículos está fechado no Viaduto da Mangueira e também na Rua Visconde de Niterói, em frente ao morro da Mangueira, Zona Norte do Rio.
A Avenida Radial Oeste que liga o centro à Zona Norte já foi liberada ao tráfego nos dois sentidos em frente ao morro da Mangueira. A Rua Visconde de Niterói, no pé do morro. Ficou fechada por manifestantes nos dois sentidos.
O Batalhão de Polícia de Choque e outras Unidades de Polícia Pacificadora da região reforçaram o policiamento. Houve informações sobre um homem ferido que foi socorrido por moradores. Ele foi levado em um caminhão de gás para o Hospital Municipal Souza Aguiar.

Ações da polícia na Maré

A Defensoria Pública do Rio conseguiu, na Justiça, que a Secretaria de Estado de Segurança Pública apresente, em até 180 dias. Plano de redução de riscos e danos para evitar violações de direitos humanos durante operações policiais no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio.
As diretrizes deverão ser seguidas para o cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão. O pedido feito pelo Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh). Em ação civil pública, tem a finalidade de proteger a integridade física dos moradores. No local, os tiroteios são constantes, deixando mortos e feridos. Obrigando o fechamento de escolas e a paralisação de serviços.
Somente no ano passado, segundo levantamento da ONG Redes da Maré, foram 33 dias de operações policiais e invasões de domicílio. Em janeiro e fevereiro de 2017. Três pessoas morreram, quatro ficaram feridas por arma de fogo e as escolas funcionaram em apenas sete de quinze dias letivos. Em decorrência de seis operações policiais no complexo.
O juízo da 6ª Vara de Fazenda Pública determinou também a presença obrigatória de ambulâncias sempre que houver incursão de policiais. Além da instalação, de forma gradual, de equipamentos de vídeo e de áudio. E de sistema de localização por satélite (GPS) nas viaturas das Polícias Civil e Militar.
De acordo com o defensor público Daniel Lozoya, do Nudeddh. A medida tem por objetivo “promover respeito aos moradores da Maré. E igualdade de direitos. Questionando o paradigma bélico das ações policiais. Especialmente nas chamadas incursões policiais. Que tantos danos causam à população residente”.
A decisão da Justiça determina também que seja divulgado, aos agentes de segurança. Que os mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão por parte de policiais militares e civis devem ser cumpridos durante o dia. Salvo em caso de flagrante delito ou desastre. Ou para prestar socorro.

Ação

A ação civil pública, de autoria do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos. Foi ajuizada há um ano, em 29 de junho. Durante o plantão judiciário noturno. Devido a violações de direitos humanos ocorridas em operações policiais na Maré,. Em buscas domiciliares e cumprimento de mandados de prisão até mesmo à noite, em desrespeito à Constituição.