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Por José Edinilson Costa

  SERRA DO MASCARENHADESTRUIÇÃO DE UM DOS MAIORES SANTUÁRIOS       ECOLÓGICOS DO NORDESTE                                 

  Depois de tantos anos de denúncias sobre os inúmeros desmatamentos na Serra do Mascarenhas, Vale do Siriji e imediações; finalmente o estado se movimentou um pouco para tentar impedir essas barbaridades. Situada na Zona da Mata Norte de Pernambuco e parte do Agreste, a Unidade de Conservação Serra do Mascarenhas é uma das mais importantes áreas remanescentes de Mata Atlântica do Nordeste.


Além dos desmatamentos, a serra também sofre com incêndios, construções irregulares de barragens que comumente estouram causando voçorocas e assoreando os Riachos no sopé da serra e com a caça predatória. A falta de fiscalizações é que vem contribuindo para as terríveis devastações que vem acontecendo neste santuário ecológico. Os órgãos ambientais estaduais mal funcionam e a maiorias das Secretarias Municipais de Meio Ambiente são apenas mais uma secretaria – com poucas exceções, como a de Timbaúba e Macaparana - pois as questões ambientais, não dão votos.

Os grandes desmatamentos na Microrregião Setentrional da Mata Pernambucana e imediações na história recente ocorreram até o início dos anos de 1990, inclusive na serra, e voltou a aumentar no final de 2006, mas foi a partir de 2007, quando o estado se ausentou dos problemas ambientais que esses crimes aumentaram consideravelmente, tornando-se catastróficos de 2015 a 2017, e tendo uma pequena redução agora em 2018. Foram anos de constantes denúncias, principalmente feitas pela ONG IPDAPE - Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental de Pernambuco, com sede em Vicência, mas quase nada o estado fez, até que nesses últimos meses foram realizadas algumas diligencias feita pela CPRH e as polícias:  CIPOMA, DEPOMA, IBAMA e delegacias locais como a de Macaparana, tendo várias  vezes a participação da IPDAPE, que teve um papel relevante para a realização dessas operações, fazendo várias investigações, e levando   ao conhecimento desses órgãos de fiscalização e repressão. Mas foi quando levou ao MINISTÉRIO PÚBLICO que “a coisa” pode funcionar melhor. É pouco, mas é alguma coisa. Em algumas partes que foram invadidas, as bananeiras já estão sendo arrancadas.                                                                                                                                                    Os desmatamentos  mais graves  que conhecemos, são no Engenho Xixá em Timbaúba, e nas imediações do Pico do Mascarenhas (uma das partes mais belas da Serra) que dividem os Municípios de Vicência, Macaparana e Timbaúba. Nessas imediações localizam-se algumas propriedades com desmatamentos, como Águas Perdidas em Vicência e Os Britos em Timbaúba. A  maior parte dos desmatamentos nessa área, são feitos por invasores, nas terras que pertencem a usina Aliança ( desativada à muitos anos ). A mata nativa é substituída por bananeiras e por casas ( a maioria de taipa). Alguns invasores são das propriedades vizinhas como Rochedo, e também das cidade Timbaúba, da Vila Murupé em Vicência e de Macaparana. Em outras partes da serra, os desmates são feitos principalmente pelos  proprietários, como no caso do Engenho Imbu em Vicência. Alguns desmatamentos que acontecem são iniciados de dentro pra fora, e quando vem se perceber a destruição, já tem tomado proporções consideráveis e as  bananeiras  já estão grandes. Abaixo da serra, na Barragem do Siriji próximo a Vila Murupé, a Mata ciliar que foi plantada após a construção da barragem vem sendo substituída por bananeiras, apesar dos Ex. proprietários terem sido indenizados. O governo ampliou o abastecimento da barragem do Siriji para outros municípios, além dos 08 que já vinham sendo abastecidos, mas não fizeram nada para preservar as nascentes, que ajudam a garantir a água no futuro.
A maioria dos estados Brasileiros reduziram os desmatamentos da Mata Atlântica em praticamente zero- infelizmente não foi o caso aqui de Pernambuco- a mais de 30 anos quando o índice começou a ser medido, não havia tido uma redução tão significante. Os campeões na redução foram São Paulo e Espírito Santo ( dados do S.O.S. Mata Atlântica).

A SERRA


Com aproximadamente 30 km de extensão, a Serra do Mascarenhas estende-se de Leste a Oeste abrangendo vários municípios, desde a Serra do Pirauá até Caueiras, em Aliança-PE. Apresenta em sua altitude uma média de 450 a 500 m, chegando em algumas partes a quase 700 m, tendo o Pico do Mascarenhas com 600 m, com escarpa rochosa e muito íngreme, assim como o Pico do Jundiá, o mais conhecido, com 470m, sendo a parte da serra  de maior interesse turístico, como o turismo religioso, rural, ecológico, científico, esportivo e de aventura como o voo livre, e o contemplativo. De grande beleza paisagística, a serra é uma das pouquíssimas áreas remanescentes de Floresta Atlântica na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Diversos estudos apontam como área prioritária para a conservação da biodiversidade, no âmbito nacional, regional e local. Rica em recursos hídricos, várias cabeceiras de riachos nascem nesta serra, que alimentam  Rios, como o  Siriji e o Cruanji. Ao Norte da serra, nasce o Rio Capibaribe Mirim. Todos integram a bacia do Rio Goiana. As águas dessa serra ajudam a abastecer várias cidades na Mata Norte e Agreste de Pernambuco através das adutoras das barragens e de caminhões pipas, que diariamente, várias dezenas- controlados pelo exército-  saem do sopé da serra para outros municípios. Em seu território, também existem fontes de água mineral. Tambores de água de 1000 litros e garrafões de 20 também são transportados  para serem vendidos nas portas e nos comércios.
             O projeto de criação da Área de Preservação Ambiental Serra do Mascarenhas foi desenvolvido pela AMANE- Associação para Proteção da Mata Atlântica do Nordeste, e teve a recomendação da UPE- Universidade de Pernambuco. A reunião para expor o projeto foi no Engenho Xixá- Timbaúba, em 05/02/14. Alguns agricultores se reuniram e foram ao governo pedir a anulação do mesmo. O projeto inicial, foi incluindo a recuperação de  áreas degradadas que somaria 32 mil hectares, mas o projeto foi reduzido drasticamente, devido a pressão dos agricultores e interesses políticos, ficando assim,  4 mil hectares -que vem sendo destruído-, como Unidade de Conservação para a Vida Silvestre.  Pelo que sabemos, nenhuma área criada para a proteção da natureza no estado sofreu tanta resistência como no caso da referida serra.
No século XIX e início do século XX, o café e a banana conquistaram áreas cada vez maiores, assim como o algodão e a cana-de-açúcar tinha feito séculos antes; voltando a ocupar espaço a cana-de-açúcar, e em segundo lugar a banana, desde o século XX até a presente data. Tido como os principais vilões dos desmatamentos, os senhores de engenho e os usineiros, perderam o título para os bananeiros que à vários anos vem consumindo muita mata aqui na região. A maior parte dos mesmos nunca foi multada.
José Edinilson Costa, presidente da IPDAPE- Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental de Pernambuco (sede Vicência), e Vice Presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Vicência. (81) 99671-3116  -  e-mail: edinilsonarte@hotmail.com  




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